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28 de junho de 2026
Gustavo Quintino

O Volume de Treino é Realmente Individual? Ciência vs. Mito

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O Volume de Treino é Realmente Individual? Ciência vs. Mito

A ideia de que cada praticante possui um volume ideal de séries semanais altamente específico é aceita de forma quase unânime nas academias. Treinadores costumam estruturar planilhas complexas sob a justificativa de respeitar a individualidade biológica.

No entanto, um estudo conduzido por Robinson e colaboradores colocou essa premissa à prova [1]. Usando um modelo experimental rigoroso, a equipe de pesquisadores demonstrou que grande parte da variação observada na prática pode ser apenas ruído de medição e flutuação biológica diária, e não uma necessidade fisiológica programada no DNA.

(Isso importa porque muda a forma como encaramos a montagem de rotinas). Se a variação individual é menor do que imaginávamos, a busca por uma receita matemática perfeita perde o sentido.

O Rigor do Desenho Experimental por Trás da Descoberta

Para separar a variação individual real de simples erros de medição ou flutuações internas do próprio participante (como pequenas alterações de força de um dia para o outro), o estudo adotou um desenho unilateral replicado com 16 indivíduos treinados [1].

Cada participante passou por duas fases de treinamento de 11 semanas, separadas por um período de descanso de 6 a 8 semanas. Em cada fase, uma perna realizou um protocolo de baixo volume (8 séries semanais de leg press) e a outra perna realizou alto volume (16 séries semanais).

A grande inovação foi o re-sorteio das pernas na segunda fase. Isso permitiu que os cientistas analisassem se a resposta de um indivíduo a determinado volume era consistente e repetível ao longo do tempo.

O problema é que a maioria dos estudos anteriores não fazia essa replicação. Sem ela, torna-se impossível saber se o resultado foi fruto do protocolo ou apenas um desvio temporário do organismo.

Os Resultados no Nível do Grupo: Hipertrofia vs. Força

No nível coletivo, os dados mostraram um comportamento claro e previsível. O grupo que treinou com maior volume (16 séries) apresentou uma vantagem clara na hipertrofia do vasto lateral, com um ganho médio de área de secção transversa de 1,8 cm² [1].

Por outro lado, quando o assunto foi o ganho de força máxima no leg press, a diferença entre realizar 8 ou 16 séries foi insignificante, apresentando uma média de apenas 3,48 kg de diferença.

Isso sugere que o volume de treino exerce uma influência muito mais direta no ganho de massa muscular do que no ganho de força. A relação de volume x intensidade deve ser ajustada com base no objetivo específico.

Condição de Treino

Hipertrofia (Vasto Lateral)

Ganho de Força (Leg Press)

Baixo Volume (8 séries)

Menor ganho relativo

Desempenho similar ao alto volume

Alto Volume (16 séries)

+1,8 cm² (Vantagem clara)

+3,48 kg (Diferença irrelevante)

Esses dados reforçam que a força depende fortemente de fatores neurais e da coordenação motora fina do movimento, enquanto a hipertrofia responde de forma mais linear ao estresse mecânico acumulado.

O Mito da Resposta Individual ao Volume Específico

O ponto mais surpreendente da pesquisa surge quando analisamos os indivíduos de forma isolada. Embora alguns participantes tenham apresentado resultados melhores com 16 séries e outros com 8 séries em uma das fases, essa preferência não se repetiu de forma consistente na segunda fase [1].

Em termos estatísticos simples, os pesquisadores não encontraram evidências sólidas de uma variação de resposta individual específica à condição de volume.

A aparente diferença de resultados entre os volumes foi explicada pela variação interna do próprio sujeito e não por uma assinatura genética estável.

Resposta Geral vs. Resposta Específica

Os pesquisadores destacam uma distinção importante: existe sim uma variação na resposta geral ao exercício (algumas pessoas simplesmente ganham mais massa muscular e força no geral, independentemente do protocolo), mas a variação de resposta específica à manipulação do volume é quase indetectável [1].

Isso significa que, se você é um bom respondedor ao treino, você provavelmente terá bons resultados tanto com volumes moderados quanto com volumes mais altos.

Tentar micro-ajustar o volume semanal exato de cada agrupamento muscular com base em testes informais de tentativa e erro na academia é, na maior parte das vezes, uma tentativa de perseguir fantasmas estatísticos.

A busca incessante por uma fórmula exata ignora que o corpo humano possui uma ampla capacidade de adaptação a diferentes estímulos, desde que o esforço seja real e progressivo.

Como Organizar Seu Treino na Prática

Diante dessas evidências, como o praticante de musculação deve estruturar sua rotina? Em vez de se preocupar em encontrar um número mágico e secreto de séries semanais, o foco deve ser o básico bem feito.

Garantir a aplicação consistente do princípio da sobrecarga progressiva e treinar com uma proximidade real da falha muscular são estratégias mais produtivas do que adicionar volume desnecessário de forma aleatória. A ciência nos mostra que as recomendações baseadas em médias populacionais funcionam muito bem como ponto de partida para quase todo mundo. A capacidade de adaptação do corpo responde de forma positiva ao estímulo progressivo.

O caminho ideal é buscar o maior volume que você consiga recuperar-se adequadamente, ajustando a rotina conforme sua capacidade evolui. Forçar um volume excessivo que prejudica a recuperação ou reduz o prazer de treinar é um erro estratégico. O planejamento deve ser guiado por fatores práticos e externos ao desenho fisiológico puro, tais como a tolerância articular, a preferência pessoal, a aderência à rotina e a disponibilidade de tempo do praticante.

Tentar adivinhar se o seu corpo responde melhor a 8 ou 16 séries semanais através de avaliações subjetivas rápidas é uma tarefa cientificamente infundada. Na GQFit, sob a orientação do treinador Gustavo Quintino, desenvolvemos rotinas sob medida para a sua realidade, focando no que realmente traz resultados sustentáveis. Se você busca um planejamento de treino baseado em evidências e estruturado de forma inteligente, conheça a nossa consultoria e dê o próximo passo em direção aos seus objetivos.

Referências Científicas:

[1]: Robinson, Z. P., et al. (2025). The Effect of Resistance Training Volume on Individual-Level Skeletal Muscle Adaptations: A Novel Replicated Within-Participant Unilateral Trial. bioRxiv preprint.

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